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Memória do Festival

Memória do Festival

Memória do Festival

Com um penacho na cabeça, Carmona começou a brincar no Boi Caprichoso em 1971 na tribo dos "Tontos"Parintins (AM) ─ O presidente do Boi Bumbá Caprichoso, Carmona Oliveira vai ser homenageado neste sábado pelo Departamento Cultural do Boi Caprichoso “Ednelza Cid”. A

Memória do Festival

Marduck Reis morre e com ele uma parte da história do Boi Bumbá Caprichoso. (Foto: Reprodução)Parintins (AM) ─ O radialista Joaquim Adelson Rodrigues Reis, conhecido como Marduk Reis (Centro), 56, faleceu no final da madrugada de ontem em Parintins. Com ele uma parte da história do folclore do Festival de Parintins nas décadas de 60 e 70 praticamente foi perdida. Marduque faleceu vítima de ataque cardíaco enquanto dormia na madrugada de hoje em sua residência, na Rua 7 de Setembro, bairro do Palmares.
Ex-bancário e ex-secretário municipal da Prefeitura de Nhamundá, Marduk foi apresentador e narrador do Boi-Bumbá Caprichoso na época em que o festival era restrito somente aos moradores de Parintins e a rivalidade entre os bumbás Caprichoso e Garantido dividia literalmente a cidade, muitas vezes resultando em desavenças pessoais. Tinha como marca pessoal a espirituosidade e o fanatismo pelo Boi-Bumbá Caprichoso.
Atualmente ele trabalhava na Rádio Clube de Parintins a convite do radialista Tadeu de Souza.
Marduque Reis colecionava uma série de histórias pitorescas bem ao estilo irreverente típico dos parintinenses acerca do Festival Folclórico de Parintins. Era do tempo em que a disputa dos bumbás Garantido e Caprichoso deixou de ser uma brincadeira de rua e passou para uma disputa de quem era o melhor bumbá nos três dias de apresentação: 28, 29 e 30, nas quadras da Juventude Alegre Católica, que deu início a formatação da disputa na década de 60.
Parte da história de Marduk Reis no Boi-Bumbá Caprichoso foi resgatada em 2003, quando a diretora do Departamento Cultural do bumbá promoveu a Cabana do Boi. Foi uma série de eventos nos quais pessoas que já haviam dado sua contribuição ao folclore parintinense, por meio do Caprichoso, eram homenageadas.
Ele, que foi narrador do boi juntamente com seu amigo e radialista José Maria Pinheiro, proporcionaram momentos de descontração ao relembrar o folguedo dos bumbás.
Em uma delas, Marduk lembrou que por vários anos foi preso preventivamente por ordem do delegado ao final da apuração, antes mesmo da comemoração da vitória do Caprichoso ou da vitória do boi contrário, o Garantido, juntamente com seu amigo e José Maria Pinheiro.
“Era um sufoco, pois mesmo sem fazer nada, o delegado mandava me prender”, contou com bom humor. Muitas dessas detenções eram provocadas pela torcedora mais fanática do Garantido, Mariângela Faria, mãe do ex-apresentador Paulinho Faria.
Ela era o alvo da dupla principalmente quando o Caprichoso ganhava a disputa. Eles se dirigiam para sua residência para provocá-la com “xavecos”, atitude que a irritava profundamente.
“Naquela época a rivalidade era maior. Quem perdia fazia passeata de protesto que terminava em briga. Quem ganhava também fazia passeata tirando “sarro” do contrário, também terminando em confusão. A Mariângela sofria na nossa mão”, contou, aos risos, Marduk durante a homenagem que recebeu da Cabana do Boi, admitindo que era “péssimo” em se tratando de brincadeira de bumbá.
Ontem, quarta-feira (11), Marduk estranhamente mudou a sua rotina de trabalho na Rádio Clube de Parintins. Gravou à noite o jornal que foi ao ar hoje pela manhã, quando normalmente gravava às 5 da manhã, duas horas antes de o jornal entrar no ar. Foi o último ato desse parintinense cuja geração produziu o verdadeiro folguedo de bumbá nas ruas da Ilha de Tupinambarana.
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