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Festival de Parintins Um Caprichoso técnico e vibrante

Festival de Parintins

A cunhã-poranga do Caprichoso Maria Azêdo e a rainha do folclore Brenna Dianná deram um show com apresentações de graça e belezaParintins (AM) ─ Técnica aliada com a emoção e vibração. Essa foi a segunda apresentação do Boi Bumbá Caprichoso iniciada às 21 horas deste sábado, quando o apresentador Júnior Paulain deu início a um espetáculo de 2h30 do boi azul e branco. Foi a noite alegórica do artista Rossy Amoedo, responsável por todas as alegorias apresentadas na noite das quais uma foi transmutada para dois quadros do boi. O menino José Kaleb, residente em uma comunidade rural de Juruti mais uma vez emocionou o público presente e os próprios jurados. A galera azulada foi mais uma vez perfeita interagindo com o apresentador e o levantador de toadas David Assayag que mesmo acometido de uma virose, mostrou que é o “rei” da voz da Amazônia.
José Kaleb (E) saiu de uma comunidade rural de Juruti no Pará onde canta em uma Igreja Evangélica para ser a atração no Festival Folclórico de Parintins e ao lado protagonizando um momento com o apresentador Júnior PaulainO segundo ato do “Canto da Floresta”, tema do bumbá deste ano, foi uma exaltação e tributo aos povos indígenas, denominado “Um canto de Amor a terra”.
O primeiro quadro da noite foi a lenda Nãnkô Fiandeira, dos índios Pailkur que habitam o Amapá na fronteira entre o Brasil e a Guiana em comunidade transfronteiriça com uma população em torno de mil indivíduos.
Onze módulos formaram o vale sagrado dos deuses para onde segundo a lenda, os Palikur haviam se estabelecido, provocando a ira das divindades. Neste quadro surgiu o primeiro item feminino, a cunhã-poranga Maria Azêdo, cuja fantasia representou a rainha das aranhas fiandeiras.
A aparição da cunhã deu início também o primeiro grande momento tribal com a dança das lanças. Mais uma vez a coreografias das tribos representando várias etnias da região do Rio Negro foi o ponto forte do Caprichoso.

Amazônia Catedral


O levantador David Assayag cuja fantasia personificou o Jurupari, que segundo a mitologia é a divindade da música dos índios do Alto Rio Negro, cantou a toada que concorreu na segunda noite o item letra e música. Mesmo acometido de forte virose, David interpretou “Amazônia Catedral”, de autoria de Ronaldo Barbosa e Simão Assayag. Os quadros de figuras típicas e exaltação folclórica tiveram como cenário uma única alegoria que se transformou em cada momento.
As tribos coreografadas voltaram a impressionar dando um show de eficiência e organização na arenaNo primeiro, o Caprichoso exaltou na arena o caboclo farinheiro baseada na farinha principal alimento do homem amazônico, antecedendo à chegada da rainha do folclore Brenna Dianná, personificada em Mani, cuja mitologia da etnia Baré deu origem a mandioca, tubérculo que é matéria prima para a produção de farinha.
A montagem dos nove módulos demorou um pouco. Mesmo assim não comprometeu a apresentação dos grupos que compunham a cênica.
A mesma gigantesca alegoria momentos depois sofreu transformação ─ primeiro cenário retratando as plantações de mandioca e as casas de farinha ─ para se transformar em um grande arraial. Nele, surgiu a sinhazinha da fazenda`Thainá Valente cuja fantasia representou a transposição do folguedo bumba-meu-boi originário do Nordeste e do Maranhão, para boi bumbá e o boi Caprichoso. Como coadjuvantes, os bonecos dona Aurora, o gigante e o grande boi folclórico.
Na arena o apresentador Júnior Paulain cumpriu o seu papel, interagindo com a galera que diferente dos anos anteriores cantou de fato as toadas levantadas por David Assayag.

Ritual, o ápice

No ritual “Gavião Ikolen”, último quadro da noite, o Caprichoso levou para a arena 12 módulos, onde juntaram-se aos integrantes da cênica, membros da Companhia de Dança Lúmini do Rio de Janeiro que representavam os seres encantados que flutuam. Todas as alegorias da noite tiveram a assinatura do artista Rossy Amoedo. Na foto a alegoria que serviu de cenografia para a celebração folclóricaNa lenda Amazônica contou com a participação dos integrantes da Intrépida Trupe, uma companhia de acrobatas. Neste quadro o último item individual fez a sua apresentação, o pajé Waldir Santana representando o “Gavião Ikolen”.
Os pequenos contratempos no posicionamento dos módulos não foi obstáculo para o Caprichoso.
O boi mostrou mais uma vez que apresenta um boi de arena com extremo sentido de organização e conjunto folclórico, a sua marca de mostrar o bom acabamento e uma perfeita combinação de cores e a funcionalidade das figuras.

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