Festival de Parintins
Escrito por Eduardo Gomes (fotos)
Jun 26
Parintins (AM) ─ Falhas na organização e conjunto folclórico; extrapolação do tempo de apresentação em um minuto e três décimos, queda da cunhã-poranga
Tatiane Barros e uma saída melancólica da arena impedindo a evolução do pajé André Nascimento. Esse foi o retrato da apresentação do Boi Bumbá Garantido ao abrir a primeira noite de disputa com o boi “contrário”, o Caprichoso. Nem mesmo a presença da cantora baiana Daniela Mercury foi suficiente para um bom desempenho do bumbá da Baixa de São José.
A promessa feita pelo presidente Telo Pinto em levar para a arena um “boi grandioso, técnico e impactante” ficou só na palavra. A grandiosidade foi o fator preponderante da má apresentação do boi vermelho e branco.
O boi iniciou sua apresentação às 21 horas em ponto quando o animador Neto Santana, fez entrar na arena a cantora Daniela Mercury. Durante quase 15 minutos Daniela cantou a toada Paixão, ensaiou cantar Vermelho errando a letra e a Aquarela Brasileira de Ari Barroso e por último o Hino Nacional, acompanhada pela banda oficial.
A entrada da cantora baiana foi um artifício da diretoria do Garantido para levantar a auto-estima da galera diante do primeiro ano de disputa sem o levantador David Assayag. Tanto que Daniela cantou em dueto com o Sebastião Júnior, levantador oficial estreante.
A presença da cantora acabou apagando a entrada do apresentador Israel Paulain cujo papel no início de sua participação é um dos fatores importantes na apresentação do boi. Paulain surgiu pendurado por um guindaste sem causar o impacto desejado.
Os problemas do Garantido tiveram logo no início com a montagem da primeira alegoria de celebração folclórica. A montagem da alegoria extrapolou o tempo estabelecido pela Comissão de Arte, embora o Garantido tivesse em diversos pontos do Bumbódromo, integrantes com notebooks justamente para controlar o tempo.
Não foi só Israel que teve sua apresentação prejudicada com pessoas estranhas ao boi na arena. A cunhã-poranga Tatiane Barros foi alvo de incidente quando uma cobra que circulou de patinete motorizado fez com que ela tivesse uma queda. Isso prejudicou a sua apresentação, bem diferente de outras apresentações onde Tatiane irradia garra com evoluções ousadas.
No quesito de organização e conjunto folclórico o boi deixou a desejar. As tribos coreografadas aparentemente com pequeno número de integrantes foram mal posicionadas na arena, com uma evolução fraca. Se neste item o Garantido vinha prometendo uma apresentação para superar o fraco desempenho dos anos anteriores, não conseguiu.
Outro ponto que deixou a desejar foi em alguns pontos em alegorias. A Comissão optou por alegorias suspensas, como foi a que retratou o criador do Boi Garantido, Lindolfo Monteverde, suspensa por um guindaste a quase 30 metros de altura e de onde o boi com o coração na testa fez aparição.
O levantador de toadas Sebastião Júnior fez uma apresentação dentro da expectativa, defendendo seu item ─ levantador ─ bem como interpretando a toada que concorreu com letra e música.
Os problemas do Garantido continuaram no último quadro, o de ritual indígena. Qual a cenografia ficou pronta fazendo a aparição do pajé André Nascimento faltava cerca de sete minutos para completar 2h30 tempo de apresentação estabelecida em regulamento para cada bumbá. De responsabilidade do artista Antônio Cansanção, uma das peças não pode ser montada na arena. A alegoria ficou incompleta.
André não conseguiu evoluir. Membros da equipe de arena gritavam em desespero para ele sair da arena. O pajé insistia em tentar evoluir diante das três cabines de jurados.
Enquanto o cronômetro fazia a contagem repressiva, os integrantes da Batucada saíram correndo da quadra, integrantes da banda oficial desplugavam seus equipamentos à força. Alguns pularam para o fosso destinado para a imprensa para evitar punição. Não foi o suficiente. Quando os portões foram fechados o boi havia ultrapassado em um minuto e três décimos.
A idéia ventilada pelo presidente Telo Pinto em o boi deixar os dez últimos minutos para o boi brincar na arena acabou não acontecendo.
Do lado de fora do Bumbódromo, o vice-presidente do Garantido, Marco Aurélio Medeiros estava desolado.
Segundo um membro do Garantido, a diretoria havia sido alertada que o boi teria problemas na arena. “O boi estava inviável para a arena”, afirmou o integrante que pediu anonimato.
Os itens individuais reclamaram logo após a apresentação de que pessoas estranhas ao boi colocadas para auxiliar na apresentação do boi na arena foi um dos fatores que prejudicaram o bumba.
Agora pela manhã a diretoria e a Comissão de Arte coordenada por Fred Góes realizaram uma reunião tensa de avaliação da primeira apresentação e tentar corrigir todas as falhas.
Última atualização em Sáb, 26 de Junho de 2010 14:11
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